Dois corpos na esquina
crivados de balas
na véspera de Natal
Uma menina de 12 anos
a alma feita de crack
na porta da Estação
Papai Noel não anda de metrô
Ruas cheias de crianças
à espera da solidariedade de moedas:
encomendas de Natal
Lojas cheias,
banqueiros felizes,
luzes,
enfeites,
peru,
pisca-pisca
e um menino que cheira cola na noite de Natal.
Amigos secretos,
em bares repletos
sorrisos fabricados para o Natal.
Eu abdico dos dezembros...
E meu poema é mórbido
como o mundo.
















