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Fazem, exatamente, dois meses e um dia que não escrevo nada. (Com exceção das matérias para efeito de trabalho) Por que, então, já não sinto as palavras pulsarem como dantes? O que morreu dentro de mim? Creio que palavra é um bicho que independe de nós. Elas têm vida. E se bolem sozinhas dentro da gente. Quando encontram espaço, fogem e se revelam. Mas, afinal, fui eu quem fechou as portas? Como? Pergunto meio que sabendo as respostas. A vida nos destina prioridades. E meu tempo de agora não é o de criar palavras, mas de criar meus filhos, sementes de mim. Há tantas formas de nos fazermos eternos, e quero que meus filhos, que semearão minha história, sejam minha melhor criação. Quero, também, poder ajudar os filhos, cujos pais não conseguem ajudar sequer a si mesmos... esta é minha segunda prioridade. O resto é trabalho. Ou lazer.

Saudades de Rita

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Ritinha, se teus olhos não fossem olhos, e sim estrelas, eu diria que eles não brilham tanto quanto o brilho dos teus olhos. Se teus olhos não fossem olhos, e sim janelas, não abririam tantos mundos para si.

Poema desenterrado

Estou suspensa sobre um abismo de fogo não posso olhar o céu não posso olhar o chão Estou suspensa sobre a boca do inferno Tenho sangue nos olhos e nas mãos

Pobreza tem cor

Algumas perguntinhas para você, de classe média, que diz que racismo não existe no Brasil: - Na escola particular de seu filho, quantos negros estudam? - E na faculdade onde você se formou, quantos havia de cor preta? - Nos bancos onde você guarda ou já guardou seu dinheiro, quantos gerentes dessa etnia? - E nos restaurantes que você frequenta, eles sentam à mesa, junto com os clientes? Ou estão na cozinha, a preparar o peixe e lavar a louça onde você comeu?

A descoberta da leitura

Ela ainda tateia as letras. Cada um daqueles sinaizinhos é uma mágica, uma descoberta. Ela junta o quebra-cabeça. Tropeça nas palavras. Se irrita. Recomeça.

Luta de classes

As coisas estão ficando mais claras no Brasil. As classes estão ficando mais claras no Brasil. E a guerra se torna mais evidente.

Não gosto de cinema

O cinema é fabuloso, fantástico. E, justamente por isso, eu não gosto de cinema. Quanto melhor o filme, maior a possibilidade de eu não ir vê-lo. Por que o cinema cinde minha mente e me inscreve em uma realidade diferente e estranha. Não! Isso não bom!