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Minha alma pede socorro!

 Estes tempos sombrios e seus procuradores,  senhores das desesperanças, têm o estranho poder de mutilar almas descontentes Eles cavam abismos para os sonhadores e adormecem as crianças  enquanto afiam os próprios dentes Toda revolta se desfaz em um vazio.  E o vazio enche seu pote com pedrinhas mundanas acordar comer trabalhar dormir e alguma vaga alegria  pra amaciar as bofetadas cotidianas. Os ponteiros nos arrancam da sensação de morte pela obrigação da caminhada Enquanto isso, nos roubam as penas das asas e traçam círculos em toda estrada Quando tentamos voar, já não mais nada... Há chumbo onde outrora havia sonhos e um hiato onde cintilava a vida e cada passo conduz apenas ao mesmo ponto de partida  A arte é o grito da alma que não se deixa mutilar... Por isso os abutres a perseguem: ela é o eterno limiar é a porta de passagem convite para voar Tentei, dia desses, abrir as asas. E senti um peso. Silêncio no palco Plateia vazia Cortina fechada Mas estou catando os cacos e se ainda

A VIDA, ESTA INJUSTA COMPETIÇÃO...

- Merda! Marina tenta, em vão, assistir a aula remota pelo seu celular. Sentada na calçada de Dona Edith, a dona do Mercadinho da Rua Larga, ela capta as sobras do sinal de Wi-fi. Até dá para conversar pelo WhatsApp ou até mesmo olhar outras redes sociais, mas é impossível acompanhar a aula desse jeito. Em tempos normais, certamente Dona Edith a deixaria entrar. Mas, não com essa doença espalhando morte por aí...

Tempos sombrios

É chegado o tempo dos homens cruéis em que flores apenas enfeitam túmulos e os céus cobrem a favela com o manto da morte Crianças ricas brincam de roleta russa E, sob a mira, o negro culpa a própria sorte

Feliz aniversário, Luna!

Dizem que os anos vividos nos dão serenidade. Que a experiência nos deixa sóbrias, com aquela sabedoria que se fecha no silêncio e em palavras oportunas, ditas no momento certo. Não aconteceu comigo.

Meu nome é alegria

Meu nome é alegria! Mas um mar de lágrimas rega os campos em flor Meu peito guarda tempestades e os trovões que rebentam em risos são os mesmos que gritam de dor

O fazedor de histórias

Dizem que o mundo de cada um tem o tamanho das histórias que ele coleciona. Conheci um menino cuja casa era um universo inteiro. Em expansão.