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Lembranças de adolescência

Ele era lindo, loiro, despojado, usava uma calça jeans bem justa, e arriscava umas notas no violão.

Não quero ser apenas palavras bonitas

Não. Eu não quero. Não quero ser apenas palavras bonitas. Não quero escrever apenas belos poemas. Quero que minha escrita seja como um grito, e que mostre o mundo no que ele tem de belo e infame!!!

Morada das cores

Meu menino vê o mundo azul. Foi azul a primeira cor que aprendeu a distinguir. E é de azul que se pintam seus sonhos: - Mãe, eu quero um cavalo azul que voa. Você compra? Não pude comprar-lhe os desejos, tais e quais. Mas pude dar uma burrinha, dessas de carnaval, feita de chita azul. Meu menininho lhe deu as asas e sorriu.

Para minha mãe

Mãe, eu cresci. Hoje, sou eu quem canto para meus filhos cantigas de ninar com a lua Mas quem me sopra a canção aos ouvidos é uma outra voz: a tua.

Os sonhos de Alexandre

- Alexandre, qual seu maior sonho? - Ter uma arma. Quando só resta este desejo para uma criança de 13 anos, é porque seu coração desaprendeu a sonhar.

Retalhos de lembranças

Dizem que alegria de pobre dura pouco. Mentira! Alegria de pobre tem a duração da lembrança. É verdade que é feita de pedacinhos, entremeados por muitos vazios. Mas, juntos, estes pedaços ficam grandes. Imensos. Da largura da saudade.

Conto de fadas às avessas

A princesa espera em uma caixinha de vidro. Está morta. Não. Adormecida. Um sono sem sonhos, embalado pela esperança de um príncipe que não vem.