Um dia, quebrei o vaso de cristal de minha mãe. Erro fatal. Travessura sem perdão. Eu era adolescente ainda. Embora soubesse que cometera um deslize, não sabia a dimensão de meu tropeço.
O jogo acabou há quase duas horas. No entanto, cada vez que fecho os olhos, escuto, com meu corpo inteiro, um coro de 30 mil vozes que gritam: - Ah! Eu acredito!!!
Xande está aprendendo abraços. O menino esquivo, que sonha ter uma arma e chuta cadeiras e gentes, já se deixa beijar. E chega junto, como quem não quer nada, a alma sedenta de carinho.
Maria Helena conhecera a luz elétrica quando tinha 12 anos de idade. Hoje, mais de dez anos depois, seus olhos farejavam abismos, acostumados aos insondáveis da noite. Como felina, ela vagava pelas ruas escuras, tecendo manhãs.