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Tragada pelas horas

O tempo nos talha, atropela, atrapalha. trabalho trabalho trabalho trabalho trabalho trabalho

Vaso de cristal

Um dia, quebrei o vaso de cristal de minha mãe. Erro fatal. Travessura sem perdão. Eu era adolescente ainda. Embora soubesse que cometera um deslize, não sabia a dimensão de meu tropeço.

Dedos de fuzil

Pei! Pei! A criança com dedos de fuzil. Granadas no coração. A morte passeia seu manto sobre nossas favelas. E por trás dos muros, ninguém vê.

Assassinato da esperança

O jogo acabou há quase duas horas. No entanto, cada vez que fecho os olhos, escuto, com meu corpo inteiro, um coro de 30 mil vozes que gritam: - Ah! Eu acredito!!!

Das aprendizagens

Xande está aprendendo abraços. O menino esquivo, que sonha ter uma arma e chuta cadeiras e gentes, já se deixa beijar. E chega junto, como quem não quer nada, a alma sedenta de carinho.

Revoada

Houve um tempo em que as palavras escapavam de mim como pássaros. Nem o papel os prendia.

Conto no escuro

Maria Helena conhecera a luz elétrica quando tinha 12 anos de idade. Hoje, mais de dez anos depois, seus olhos farejavam abismos, acostumados aos insondáveis da noite. Como felina, ela vagava pelas ruas escuras, tecendo manhãs.