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Balanço de fim de ano

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Este foi o ano que me pôs de ponta-cabeça, que fez de meus sonhos avesso, e me mostrou os homens e a política e o mundo em seu lado mais cru.

Papai Noel é a mãe!

Odeio crianças. Odeio Natal, ano-novo e todas aquelas luzinhas piscando. Sou gordo, feio, mal-humorado, liso e desempregado. Aceitei aquele trabalho só pra ganhar a grana da cachaça que, esta sim, é minha amiga fiel.

Carta aos novos rumos

É chegada a hora do Adeus! De fazer as malas e escolher novo destino. Olhar para trás e perceber que valeu a pena, ainda que os sonhos tenham se desfeito em brumas.

Aos que virão a nascer

Reproduzo, a seguir, um poema de Bertolt Brecht, feitas sob medida para tempos que, afinal, mudam muito pouco.

Destempero

E scutem : eu não sou tão mansa como sugere meu sorriso! não sou delicada como faz supor minha miudez! Eu destempero, enlouqueço, transbordo, estou sempre à beira da combustão.

Sobre política e coração

Disseram: - Para fazer política é preciso trancar o coração. Ele acreditou. E fez grande sua carreira.

O mar

O mar é parte de sua vida, desde sempre. Quando criança, fingia-se sereia. Prendia a respiração, mergulhava o mais fundo que podia, e deixava o som das águas criar uma cantiga em seu coração.