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Céu de estrelas ou pequena história de como se constrói esperanças

Ela acordou com os olhos nublados de céu. Seu peito se inflava de uma agonia risonha, daquelas que nos faz ouvir música em cada sopro de vento. Olhou-se no espelho e se achou bonita. Dispensou os cremes e as tinturas em pó para vestir-se com seu próprio arco-íris.

O Grito

O aperto no estômago. Como fome. Como soco no ventre. Ela parou, respirou fundo... sabia o que viria a seguir.

Sobre filhos e pais

PRIMEIRA CENA: Estava ali, naquela mão que atava o pai e o filho, já adolescente, todo o sentimento que se oculta sob as palavras. Não moram juntos. Mas há uma ponte invisível que os liga, apesar de tudo e de todos. No número que se gravou no celular do pai, um sinal do afeto: o menino lembrara dele antes mesmo que o sol surgisse. Lembrara dele enquanto se cercava de amigos, de jovens, de alegrias.

No terapeuta

- Tem um gato me espiando. - Como? - Um gato. Gato. Me espiando... toda vez que fecho os olhos, ele está lá. Os olhos grudados em mim.

Aurora

Chamava-se Aurora. Mas, a despeito do nome, nada tinha que lembrasse o alumbramento do sol quando rompe a manhã. Menos ainda que se parecesse com aquela moça por 100 anos adormecida. Pelo contrário. Nenhuma fada jamais lhe brindara com o dom da beleza. Desde sempre fora conhecedora de sua própria face e sabia que estava muito mais próxima da Moura Torta que da princesa.

À espera do azul

Hei de acordar azul e meu verso será como sorriso de criança. Mas hoje, não.

Minha alma na bandeija

Andarei descalça. Apesar das feridas e cicatrizes que me marcam a sola dos pés. Apesar das pedras, dos cacos, dos espinhos, dos buracos. Não vestirei sandálias nem anéis.