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Emprestem-me um pouco de azul...

As vezes um cinzento na garganta uma inércia na alma um oco no mais fundo de mim... Procuro em vão as razões do abismo Não há razões.

Uma fileira em descompasso no Homem da Meia Noite

O garoto no Homem da Meia Noite: negro como aquela que empresta seu manto de estrelas para passar o bloco das multidões. O garoto no Homem da Meia Noite: os cabelos pintados de sol, abrindo clarões em sua escuridão e o sorriso a iluminar-lhe o rosto - um toque de inocência na rebeldia adolescente.

Lampião do asfalto

Este poema foi inspirado em uma figura lendária: Lampião. Não o Lampião cangaceiro, anti-herói do sertão. Falo de um Lampião moderno, não menos valente. Falo daquele cangaceiro que passeia pelas ruas, bares e mercados do Recife, vendendo cordéis, cantando e brincando.

Ascensões e quedas da esperança...

Há outras ordens por aí, acredite! Outros espaços, outros tempos, outros mundos. Há um menino que joga pião e sorri. E seu sorriso ilumina a esperança.

Meu tempo não é este!

Assisti a entrevista de Mia Couto no Roda Viva. Disse ele: "Há vários Moçambiques dentro de Moçambique". Também nós temos vários Brasis.

As eleições da desesperança

Desde que me iniciei como eleitora, e antes até, vivi cada eleição como um tempo de alegria. E esperança. Mesmo quando meus candidatos não tinham chance nenhuma... nem assim deixávamos de acreditar. E as ruas se pintavam de vermelho: em bandeiras, camisas e estrelas. E ganhavam outras cores também, de pessoas que acreditavam diferente e cantavam, buzinavam e se provocavam em uma disputa ávida, mas saudável e feliz.

Os perigos do discurso do bom gestor

Andei me eximindo de falar sobre eleições. Frustrações sucessivas me derrubaram e preferi guardar as palavras. Hoje, decidi romper o silêncio, precupada que estou com este discurso do bom gestor.