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Labirinto

 Há excesso de amor em mim Desejos em encruzilhadas de abismo e de infinito Labirintos pintados em tinta nanquim sob um céu azul bonito... Fogueiras multiplicadas ante olhos que vigiam os portões do "bem"  e do "mal" Anjos de asas cortadas em rotas que desviam e pedaços de carne pendurados no varal Há excesso de amor em mim...

Pedra no sapato

Um dia, não sei exatamente quando, choveram milhões de pedrinhas sobre minha cabeça. Catei uma, só uma... uma pedra azul. Guardei-a no fundo de meu sapato. E com ela caminhei muitos mundos até esquecer de sua existência sob meus pés. Um dia, não sei exatamente quando, ao descalçar os sapatos deixei cair uma pedra.

Coração esmagado

Por trás da farda, há um menino assustado. Coração esmagado pelo quartel. Em tempos de ódio, de revolta, de medo, meninos fardados não olham para o céu.

Minha alma pede socorro!

 Estes tempos sombrios e seus procuradores,  senhores das desesperanças, têm o estranho poder de mutilar almas descontentes Eles cavam abismos para os sonhadores e adormecem as crianças  enquanto afiam os próprios dentes Toda revolta se desfaz em um vazio.  E o vazio enche seu pote com pedrinhas mundanas acordar comer trabalhar dormir e alguma vaga alegria  pra amaciar as bofetadas cotidianas. Os ponteiros nos arrancam da sensação de morte pela obrigação da caminhada Enquanto isso, nos roubam as penas das asas e traçam círculos em toda estrada Quando tentamos voar, já não mais nada... Há chumbo onde outrora havia sonhos e um hiato onde cintilava a vida e cada passo conduz apenas ao mesmo ponto de partida  A arte é o grito da alma que não se deixa mutilar... Por isso os abutres a perseguem: ela é o eterno limiar é a porta de passagem convite para voar Tentei, dia desses, abrir as asas. E senti um peso. Silêncio no palco Plateia vazia Cortina fechada Mas esto...

A VIDA, ESTA INJUSTA COMPETIÇÃO...

- Merda! Marina tenta, em vão, assistir a aula remota pelo seu celular. Sentada na calçada de Dona Edith, a dona do Mercadinho da Rua Larga, ela capta as sobras do sinal de Wi-fi. Até dá para conversar pelo WhatsApp ou até mesmo olhar outras redes sociais, mas é impossível acompanhar a aula desse jeito. Em tempos normais, certamente Dona Edith a deixaria entrar. Mas, não com essa doença espalhando morte por aí...

Tempos sombrios

É chegado o tempo dos homens cruéis em que flores apenas enfeitam túmulos e os céus cobrem a favela com o manto da morte Crianças ricas brincam de roleta russa E, sob a mira, o negro culpa a própria sorte

Feliz aniversário, Luna!

Dizem que os anos vividos nos dão serenidade. Que a experiência nos deixa sóbrias, com aquela sabedoria que se fecha no silêncio e em palavras oportunas, ditas no momento certo. Não aconteceu comigo.