30 de maio de 2011

Espelho quebrado

Deixou-se ficar.
Parada em frente ao espelho quebrado.
As faces dispersas de si.

Moveu os lábios de uma boca sem corpo.
Piscou os olhos ausentes do rosto, alheios um do outro.
Fincou-os, ambos, na fenda que se abriu no centro, dividindo o nariz em duas metades.
E deixou cair uma lágrima.

Ela correu pelo olho esquerdo, margeando a senda.
De repente, o buraco.
A pequena gota abismou-se no espaço e ela moveu as mãos ao espelho, tentando livrar a lágrima da queda no infinito.

Livrou.
Viu que a pequena gota continuou sua descida pelo fragmento inferior do espelho.
Mas nas mãos,
restou uma lágrima de sangue que o espelho não refletiu.
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