25 de agosto de 2011

Margaridas


Não!
Não é deste Brasil que vos falo:
das menininhas com seus piolhos,
bocas e pernas feridas...
Nem dos jovens de olhos perdidos
privados de si
e da vida

Não.
Eu falo do Brasil das Margaridas!

Não falo dos pés que mergulham na merda
dos esgotos que passeiam nos lares
das mulheres esbofeteadas
ou dos santos, em seus altares

Nem mesmo dos vermes
na barriga da criança
ou dos bandidos
com dinheiro pra fiança

Não.
Eu falo do Brasil da esperança!

E a esperança não sai na TV.

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17 de agosto de 2011

Didiinha

Em que espelho te miras,
minha menina crescida?
se na rosa mais bela
vês só o espinho. E a ferida...

Em que espelho te miras,
minha irmã, minha menina?
que só vês a escuridão,
na noite que se ilumina...

Para sempre,
toda vida,
serás minha irmãzinha
a que brincava comigo,
de boneca,
de casinha.
Que contava de seus medos,
fantasmas,
sonhos de horror.
e revelava segredos
de solidão
e de dor...

Queria ter o poder
de te tirar da escuridão
em vão te estendo meus braços
e te ofereço minha mão.
É que a venda de teus olhos
ninguém mais pode tirar.
Em que espelho te miras, irmãzinha?
Que não vês a vida bailar...
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14 de agosto de 2011

Poemas na encruzilhada

Quando plantaram a semente
lá nas terras do Ceará
não podiam imaginar
a flor que germinaria
é flor que deita semente
lá no coração da gente
semente cor de poesia

Quando os anjos abriram bocas
nas ladeiras de Olinda
o mundo era mudo ainda
não conseguia escutar
os atabaques pandeiros
vindos de navios negreiros
fazendo a poesia ecoar

Quando caminhos se cruzaram
em redes de encruzilhada
ele marcou a estrada
e, nos poemas, criou asas
Deu-lhes cantos e imagens
buscou-lhes novas paragens
de encontros em outras casas

Quando as palavras das pedras
descolaram do chão dormente
viraram estrelas luzentes
na noite escura a cintilar
Ele então largou bandeiras
e fez das palavras primeiras
as armas com que lutar

Quando pontes se abriram
entre estes tantos caminhos
os sonhos que eram sozinhos
encontraram companhia
das pedras já descoladas
as palavras, em encruzilhadas,
tecem encontros de poesia.


(Para Magna, Valda, Dimas e Geó ou melhor:
para Sementeiras, Canto da Boca, Estradar e Inscritos em Pedra
E também para Lena, Ducaldo e Edjane, testemunhas deste encontro, novos nós nesta teia)
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8 de agosto de 2011

Poema de amor


Ele veio sem ser convidado
invadiu meu mundo
destelhou minha casa
plantou ninhos em meu ventre
beijou-me os seios e as asas
lançou-me ao abismo para ensinar-me a voar

Ele veio sem ser convidado
Enfrentou Peter Pan
Reinventou-me a vida
Sugou-me a seiva e o musgo
Fez jardins em minhas entranhas
e afastou-me da Ilha Perdida
roubou-me a boneca para ensinar-me a brincar

Ele veio sem ser convidado
e ficou.
E eu, arrastada que fui por um temporal destemperado,
fiz-me mulher ao seu lado,
e deixei o vento me guiar.
E eu, arrastada que fui por uma barca desgovernada,
ofereci-lhe minha caverna para sua morada,
e deixei seu sêmen me povoar.
Ele veio sem ser convidado
e ficou.







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