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Mostrando postagens de 2010

Desabafo de fim de ano!!!

Esqueça! O mundo não vai mudar porque vai trocar um número no ano do calendário.

A tal mineira

Seu nome é Sulamita. E não é uma mulher qualquer.
Suas habilidades se revelam na palavra,
na cozinha,
e, principalmente, no caráter.

Os irmãos de Maurília

Maurília tinha tantos irmãos que jamais poderia caber em seu olhar a lembrança de cada um. Tinha irmãos homens e mulheres, de diferentes cores, tamanhos, idades... de diferentes pais e nos lugares mais distantes. Somente em sua casa moravam sete. Outros três viviam perto, lá mesmo, no Cocal. Mas havia tantos outros que ela até chegava a supor que o mundo inteiro, cada pessoa, era também um irmão seu. E por isso sorria pra todos. E esperava abraços, que nunca ganhara.

Para meu pai

Painho,
eu tenho ciúmes,confesso,de minha primogênita irmã.

Silêncio

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Quando não há nada a dizer,
melhor calar
e deixar que a vida se encarregue de falar.

Para Chaves, minha despedida

Chaves, nosso velho sábio, conselheiro, professor...
por que desististes de viver?
Tu, que andastes sempre entre o abismo e o vôo...
Tu, que equilibrastes em cada palma da mão a sensatez e o seu reverso...

M...

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Meu sorriso de volta

Repus o sorriso em minha alma.
Fui buscá-lo no mar,
entre sobras de sereias.

Ainda não cansei de mim

Ultrapassei, neste sábado, 16 de outubro, o 38º ano de minha vida.
E ainda não cansei de mim.

O rumo de meus sonhos

Não é para ti que falo.
É para mim mesma, talvez.

Para ti,
o resultado de uma eleição nada altera no correr dos dias e das horas.

Céu de estrelas ou pequena história de como se constrói esperanças

Ela acordou com os olhos nublados de céu. Seu peito se inflava de uma agonia risonha, daquelas que nos faz ouvir música em cada sopro de vento. Olhou-se no espelho e se achou bonita. Dispensou os cremes e as tinturas em pó para vestir-se com seu próprio arco-íris.

O Grito

O aperto no estômago. Como fome. Como soco no ventre.
Ela parou, respirou fundo... sabia o que viria a seguir.

Sobre filhos e pais

PRIMEIRA CENA: Estava ali, naquela mão que atava o pai e o filho, já adolescente, todo o sentimento que se oculta sob as palavras. Não moram juntos. Mas há uma ponte invisível que os liga, apesar de tudo e de todos. No número que se gravou no celular do pai, um sinal do afeto: o menino lembrara dele antes mesmo que o sol surgisse. Lembrara dele enquanto se cercava de amigos, de jovens, de alegrias.

No terapeuta

- Tem um gato me espiando.
- Como?
- Um gato. Gato. Me espiando... toda vez que fecho os olhos, ele está lá. Os olhos grudados em mim.

Aurora

Chamava-se Aurora. Mas, a despeito do nome, nada tinha que lembrasse o alumbramento do sol quando rompe a manhã. Menos ainda que se parecesse com aquela moça por 100 anos adormecida. Pelo contrário. Nenhuma fada jamais lhe brindara com o dom da beleza. Desde sempre fora conhecedora de sua própria face e sabia que estava muito mais próxima da Moura Torta que da princesa.

À espera do azul

Hei de acordar azul
e meu verso será
como sorriso de criança.

Mas hoje, não.

Minha alma na bandeija

Andarei descalça.
Apesar das feridas
e cicatrizes
que me marcam a sola dos pés.
Apesar das pedras,
dos cacos,
dos espinhos,
dos buracos.
Não vestirei sandálias nem anéis.

Rasgos

Um rasgo
no céu
risco
no papel

e as estrelas cadentes singram o ar
e estrelas decadentes sangram no altar

poemas são acrobacias de palavras deserdadas!

Para uma amiga especial

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Por que eu não sei o que escrever quando penso nela, e no entanto é uma amiga tão especial?
Por que as palavras falham, a voz não grita e o coração fica parado em uma imagem e um sorriso?
Deve ser, Edivane, por que você é sempre aquele ponto na frase, que parece completar o que gagueja.

Exílio

Primeiro, arremessaram-me um tiro ao peito.
Não morri.
O tiro, entretanto, permaneceu dentro de mim como uma pedra.

Adeus, Saramago

"Não será com todos nem será sempre, mas às vezes acontece o que estamos vendo nestes dias: que, por ter morrido um poeta aparecem, em todo o mundo, leitores que se declaram devotos e que precisam de um poema que expresse o seu desconsolo e talvez também para recordar um passado em que a poesia teve lugar permanente, quando hoje é a economia que nos impede de dormir.(...) Isto, em poucas linhas, é o que está sucedendo: ele morreu e o planeta tornou-se pequeno para albergar a emoção das pessoas".

Pra não dizer que não falei de Copa...

Fui eu ou a seleção quem perdeu a alegria?
Quero crer que não tenha sido eu.

Oca

Estou oca.
As palavras cavaram um abismo em mim.
A chuva não lavou minha alma,
fez um charco de lama
e nesta lama me afundei.

O pequeno André

Tem seis anos e precisa de atenção.
Por isso corre.
Por isso pula.
Por isso fala tanto.

Infância roubada

Quando calaram-se as últimas fadas, ela se sentiu só, a criança. As amigas falavam de moda e exibiam os sapatinhos cor de rosa, com saltos. Punham maquiagem nos olhos e ensaiavam o mais novo rebolado. Ela não sabia de nada. Gostava de andar descalça e de rebolar com bambolê.

Toda mãe tem medo

Toda mãe tem medo.
Medo que o filho caia,
que se machuque,
que sofra.
Medo que o filho se perca em atalhos escuros...

O assediador

Cuspiram em sua alma,
jato de pus,
catarro...
E enquanto aguarda a própria putrefação
ele confere as aplicações no banco
e os modelos do próximo carro.

Alice no país da modernidade

Siga-me: disse o coelho branco a uma Alice meio chapada. Ela procurou a lan house mais próxima e tentou buscar no twitter este tal coelhinho. Achou. Colou seu nome à lista de seguidores. E mergulhou para sempre num buraco imenso que se abriu em sua vida.

Noite

Há várias noites espero que a lua me indique o caminho.
E não há nada.
A noite chega e se vai sem um único raio que me ilumine.

Legado de ternura

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Seu Darcy era mais que um militante.
Era mais que um dirigente sindical.
Seu Darcy punha em cada palavra um afeto.
E arejava a rispidez da política com seu sorriso aberto.

Aprendizagens

Estou aprendendo a não cobrar tanto das pessoas.

A não ver nelas o abismo escuro,
e sim a lua que surpreende a noite.

O enforcado

O enforcado.
Lá estava ele, atado pelos pés.
Uma corda que o prendia a lugar nenhum.
Segurei a carta com firmeza.
Olhei.
E tomei, então, meu primeiro susto.

O Tricolor voltou

Uma brasa.
Uma centelha.
Uma faísca.
E o fogo ardeu sobre o estádio,
e o brilho subiu aos céus e alcançou a lua,
e a lua resplandeceu, imensa,
a iluminar a dança dos pés tricolores.

Portas

Viu-se,
no meio do caminho de sua vida,
preso em um quarto sem janelas nem móveis.
Duas portas, apenas.
E duas chaves em sua mão.

Calada pela vida

Em tempos de férias, as palavras calam.
E a vida toma o lugar delas.
Não há palavra que modele na boca
o gosto do peixe frito
ou da cerveja gelada.
O cheiro das algas ou da terra molhada de chuva.