21 de outubro de 2008

Silêncio é música ou grito?

Extraí do Barro Cru o mote que me inspira esta postagem. Anotem: barrocru.blogspot.com.

Silêncio.
Quero ouvir a batida das ondas do mar.
E os peixes que se movem em minhas entranhas.
Tenho os pés descalços
e minha respiração é uma brisa leve...
Meus passos, lentos,
são asas abertas em um céu imenso.
Engoli o infinito...

Silêncio.
quero ouvir meus próprios gritos.
A tempestade que se injeta em minhas veias
e os monstros que habitam minha solidão.
O sangue me rompe os pulsos,
procura brechas,
desata os poros.
Há pedaços de mim sobre a areia
e marcas de sangue na estrada.
Não ando,
me arrasto.
Sou pássaro ferido numa relva seca.
Fragmentos.

Meu silêncio é um grito e uma canção.
Tudo ao mesmo tempo.
Minha paz e minha guerra.
Minhas metades.
Minhas contradições.
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20 de outubro de 2008

O rasgo

Estive olhando esta arte que serve de cabeçalho para meu blog.
Reparei que minha ponte é uma fenda...
Um rasgo que se abre no manto do mar
e descortina um buraco negro.
Uma fenda que se expõe como o corte de uma vagina
e sangra dos lados,
nas ondulações de um mar
que bem pode ser os poros da pele rompida.

Talvez minha escrita seja assim.
As palavras que ligam, - minhas pontes -,
são também minhas rupturas,
minhas fendas,
meu sexo.
E, como tal, é sempre aos pedaços,
incompleto,
aberto,
cortado,
sangrando...
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A uma professora

Professores existem vários.
De vários tons:
hostis, cordiais,
autoritários,
amenos.
Basta um entre tantos,
só um,
para fazer desvios nos rumos de nossa vida.

Tive uma:
Teresa Cahu.
Professora de história, de quadris avantajados,
destas que conseguem manter o silêncio sem precisar gritar.
Sem discursos, ela nos trazia à consciência política.
Passava filmes.
Narrava as histórias com todas as entrelinhas.

Disse-me um dia,
quando soube que eu faria vestibular para direito e jornalismo:
- Tomara que você passe em jornalismo!

Creio que ela me conhecia bem...

Sem Teresa Cahú,
eu, que nasci em uma família de idéias conservadoras,
talvez nunca chegasse a ser esta que hoje sou.
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