28 de dezembro de 2010

Desabafo de fim de ano!!!

Esqueça! O mundo não vai mudar porque vai trocar um número no ano do calendário.

Nada vai mudar e tudo pode mudar a qualquer instante esse papo de ano novo vida nova é conversa fiada e eu já estou por um fio um fio esticado sobre o abismo um ano inteiro suspensa assim então não me venha com papo furado e garrafas de champanhe prefiro uma cachaça com mel para adoçar e depois o mar o mar que tudo salva saliva de Deus e então...

Então, foda-se 2010!!! E vão à merda todos os que contribuíram para que esse ano fosse esse dilúvio sem fim e não me venham com sorrisos e confraternizações e presentinhos de fim de ano porra eu estou dizendo para irem à merda preciso soletrar???

Não!!! Não todos. Não tudo.

Tem as crianças minhas crianças as crianças do Coque as leituras os amigos sinceros as bibliotecas meu companheiro as cervejinhas de fim de dia a família o mar o mar que tudo salva saliva de Deus e eu estou quase de férias quase de férias e então...

então que venha 2011 caralho!!!
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27 de dezembro de 2010

A tal mineira

Seu nome é Sulamita. E não é uma mulher qualquer.
Suas habilidades se revelam na palavra,
na cozinha,
e, principalmente, no caráter.

Com ela eu aprendi a ser jornalista.
E isso significa buscar a verdade,
ainda que nos ofereçam dela apenas um lado,
ainda que nos ponham viseiras para impedir de ver o sol.

Com ela eu aprendi a brigar,
a não ser capacho de quem quer fazer de nossas palavras, sombras.

Com ela eu aprendi a me dar valor.

(Só não aprendi a tostar os torresminhos, que prefiro comer em casa de mineira).

Parabéns, Sula!!! E obrigada.

PS: Aproveitem e visitem aqui o blog da mineira
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10 de dezembro de 2010

Os irmãos de Maurília

Maurília tinha tantos irmãos que jamais poderia caber em seu olhar a lembrança de cada um. Tinha irmãos homens e mulheres, de diferentes cores, tamanhos, idades... de diferentes pais e nos lugares mais distantes. Somente em sua casa moravam sete. Outros três viviam perto, lá mesmo, no Cocal. Mas havia tantos outros que ela até chegava a supor que o mundo inteiro, cada pessoa, era também um irmão seu. E por isso sorria pra todos. E esperava abraços, que nunca ganhara.

Um dia, um deles bateu em sua porta. A mãe recebeu, com lágrimas nos olhos e mãos cheias de carinhos. Maurília não disse nada, não sentiu nada. Mas, como de costume, sorriu. E se surpreendeu ao receber, talvez, o primeiro abraço desde que deixara de ser um bebê. A surpresa foi tão grande que ela correu para longe e chorou, com toda a força de suas lágrimas. Não um choro de alegria, nem de tristeza. Choro de susto, espantado, tremido.

Dia após dia, ela evitou olhar para aquele irmão estranho, que agora morava em sua casa e dividia com eles a comida e a atenção da mãe. Maurília olhava de banda e fingia de muda cada vez que ele puxava uma prosa.

Um dia, o irmão chegou em casa com uma carroça de jornais. Amontoou tudo num canto e sentou. Devagarzinho, começou a enrolar as folhas, uma a uma, formando uns canudos grandes e finos, que ele foi guardando debaixo da cama de Leo. Maurília não disse nada. Apenas observou, com curiosidade e espanto, o irmão transformar os canudos em cestos, bandejas, casinhas de brincar... E, no dia de seu aniversário, a menina ganhou seu primeiro presente: uma gaiolinha pequena, com passarinho dentro, tudo feito de canudinhos de jornal.

A partir deste dia, Maurília passou a acompanhar o irmão, enrolando os canudinhos e fazendo mágica com papel. E abriu os olhos e ouvidos para escutar as histórias que lhe contava este homem, que parecia tão grande pra ter nascido de sua mãe.

Seu nome era Olavo e disse que vinha de uma terra triste, onde arrancam as asas dos passarinhos. Disse que, quando pequeno, queria voar mais alto que o alcance das suas asas. Um dia se perdeu de tudo. Foi parar numa terra feia, onde as pessoas não sorriam nem brincavam: tinham coração seco e olhos que não viam. Era um lugar cinzento, amedrontado pela sombra de um dragão sem cor, que alimentava-se de sorrisos. Olavo disse que viu, dia após dia, o dragão devorar-lhe por dentro. Para continuar existindo, passou a roubar dos outros a alma que já não tinha. Arrancou, ele mesmo, as próprias asas. Escolheu, ele mesmo, sua gaiola. Mas foram os canudos, os canudinhos de jornal, que foram repondo as penas, todas elas, em seu lugar. Demorou. Mas Olavo, um dia, recuperou as asas, os olhos e a alma. Foi quando decidiu voltar pra casa.

Maurília sorriu. Mas já não era o mesmo sorriso, aquele que repetia para todos, à espera de algo que nunca vinha. Era sorriso que brotava lá de dentro, como cócegas no coração. Era sorriso que lhe tomava o corpo inteiro até sair pela boca, pelos olhos, pelas mãos. Não era mais um sorriso que espera, era alegria de verdade, um pedacinho de céu. Maurília abraçou o irmão e à noite, antes de dormir, foi buscar em seu velho caixote sua gaiola de papel. Lá estava ela, bem guardada. Mas, para sua surpresa, a pequena portinha de jornal estava aberta. E já não havia pássaro lá.
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6 de dezembro de 2010

Para meu pai

Painho,
eu tenho ciúmes,confesso,de minha primogênita irmã.
Porque ela teve a honra de te seguir naquilo que pra ti é pedra mais que preciosa:
o teu trabalho.
Mas, escuta, pai, tenho um segredo pra ti:
não peguei a trilha de insetos e plantas que traçaste.
Mas segui tuas pegadas nos atalhos que marcaste sem sequer perceber:
Um caminho feito de histórias,
brincadeiras,
e um jeito eternamente puro de acreditar na vida e nas pessoas.

Parabéns, meu pai!
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1 de dezembro de 2010

Silêncio

Quando não há nada a dizer,
melhor calar
e deixar que a vida se encarregue de falar.

Por que ela sim é o mais lindo de todos os poemas!!!
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