22 de agosto de 2007

Tari se vai


Rita vai embora. Mais uma das minhas que se vão... Como Mariângela. Como Anamaria. A próxima, qual será? Que dom é esse, tão terrível, de ver meus amigos caminharem longe?...
Mensagens eletrônicas não tem cheiro, não sorriem nem choram. Mensagens eletrônicas não dançam ciranda no Pátio de São Pedro. Nem sobem as ladeiras de Olinda...
As lembranças sim, é verdade. E é verdade também que mensagens eletrônicas, nossas cartas modernas, fazem vivas as lembranças. Mas eu queria mais...
Não queria conversar com Anamaria e Mariângela. Queria passear com elas, falar bobagens, rir, dançar...
Em breve, terei de Rita esta mesma sensação - lembrança que me chega por e-mail.
Desta vez, Tari vai primeiro. Fica Bifa. E o tempo suspenso entre elas...
Leia mais...

17 de agosto de 2007

Jornal fechado

Ontem, terminei de fechar o jornal da empresa em que trabalho.
Dia pós-fechamento é dia de palavras-pontes. É dia em que trabalho folgada, posso fazer uma faxina em meu ambiente de trabalho. É dia de conferir minhas mensagens, responder aos amigos. É dia de me informar, ler os artigos da Agência Carta Maior e ver o que tem de novo nos meus blogs preferidos. Posso até dar uma fugidinha e tomar um sorvete na Fri-sabor.
Gosto de meu trabalho. Gosto por que escrevo e gosto de escrever. Gosto por que escrevo coisas nas quais acredito. E quando assim deixar de sê-lo não serei capaz de escrever. Gosto da equipe e das pessoas quase todas. E gosto por que trabalho meio expediente, o que me deixa tempo para brincar com minhas crianças. E para ser atriz.
Nem sempre é fácil, contudo. E, durante três dias a cada quinze, eu diria que me multiplico. Quisera eu que, para fechar jornal, bastasse girar a maçaneta e a chave. Tenho que juntar as matérias todas, e concluir as que ainda faltam. Tenho que definir em que página cada qual deve ficar. Cortar palavras, cozer palavras, complementar o que ainda carece de sentido ou informação, buscar ilustrações e fotos, construir títulos, subtítulos, olhos, janelas, chapéus, legendas... passar tudo para o diagramador, ler e re-ler, conferir se está tudo nos trinques antes de gravar para mandar fazer o fotolito. Fotolito é como um espelho da página, impresso em uma espécie de papel transparente, que serve para gravar a chapa que servirá para a impressão.
Além de todos estes pormenores que fazem parte desta atividade editorial, tenho ainda que dar conta do que é uma função minha, diária: redigir, editar e enviar o nosso boletim eletrônico.
E faço tudo isso de bom grado, por que gosto. Gosto mesmo. Ocorre que, nos últimos tempos, ando meio feito louca. É que, além de minha profissão de jornalista, ando às voltas com ensaios para aquilo que é minha segunda profissão: o teatro. Então tenho que correr o suficiente para dar tempo de pegar as crianças no colégio, deixá-las em casa com o pai (que não sabe dirigir), e voltar para ensaiar. Todos os dias.
Hoje o dia é suave. O tempo passa lento e sereno. E eu posso escrever tranquila, como quem borda sonhos. Agora, parei. Vou tomar um sorvete na esquina.
Leia mais...

8 de agosto de 2007

Escravo da vida

Para viver de sua arte, ele precisa matar a arte em si.
E me liga, triste. Não consegue dar conta do tempo que lhe falta.
Saudade de quando as queixas eram pelas passagens de ônibus que faltavam. De quando era possível ler, criar, trabalhar em grupo, estudar, ou "perder" tempo.

Para viver de sua arte, ele precisa multiplicar-se.
E aquilo que lhe dá sentido à vida, vai minguando aos poucos.

Assim se destroem os sonhos, com a força da realidade e a necessidade da sobrevivência. Assim se destroem os grupos.

Não será melhor dar um soco na realidade e passar um pouco de fome?
O que é pior: a fome de pão ou a fome de espírito?

Não sei que conselhos te dar, meu amigo.
Leia mais...

2 de agosto de 2007

19 segundos

Em 19 segundos, foram falhas suas tentativas de tentar parar o mundo.
Em 19 segundos, a pista chegou ao fim, e só lhe restou o muro.
Em 19 segundos, não lhe foi possível rever tristezas e alegrias: uma filha, uma mulher, um bate-papo com os amigos. Uma briga chata, o trabalho quase escravo, sua ausência na vida.
Em 19 segundos, nenhuma despedida.
Em 19 segundos, apenas a certeza do muro - ou do abismo.
18, 17, 16... sem freios, sem controle, a pista que chega ao fim
10, 9, 8... o desespero, a tentativa vã de controlar a máquina
4, 3, 2... a certeza da morte, os gritos
... o fim.

Eles não viram quão tristes as tentativas de explorar politicamente suas próprias mortes.
Eles não viram seu desespero exposto aos olhos do mundo inteiro, sob a justificativa de investigação.

Viveram para voar. Sem descanso. Sem trégua. Horas e horas de vôo.
Viveram para garantir os lucros incessantes de seus patrões.

Outros voavam com eles. Mas nenhum tinha consigo as rédeas da morte. Nenhum tinha consigo este cavalo indomável, açoitado pela ganância das empresas aéreas.

Este meu escrito é para Kleyber Lima e Henrique Stephanini, piloto e co-piloto do avião da TAM que explodiu no dia 17 de julho.
Leia mais...
 

Palavras-pontes Design by Insight © 2009