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Saudades de Rita

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Ritinha, se teus olhos não fossem olhos, e sim estrelas, eu diria que eles não brilham tanto quanto o brilho dos teus olhos.
Se teus olhos não fossem olhos, e sim janelas, não abririam tantos mundos para si.

Poema desenterrado

Estou suspensa sobre um abismo de fogo
não posso olhar o céu não posso olhar o chão
Estou suspensa sobre a boca do inferno
Tenho sangue nos olhos e nas mãos

Pobreza tem cor

Algumas perguntinhas para você, de classe média, que diz que racismo não existe no Brasil:
- Na escola particular de seu filho, quantos negros estudam?
- E na faculdade onde você se formou, quantos havia de cor preta?
- Nos bancos onde você guarda ou já guardou seu dinheiro, quantos gerentes dessa etnia?
- E nos restaurantes que você frequenta, eles sentam à mesa, junto com os clientes? Ou estão na cozinha, a preparar o peixe e lavar a louça onde você comeu?

A descoberta da leitura

Ela ainda tateia as letras.
Cada um daqueles sinaizinhos é uma mágica, uma descoberta.
Ela junta o quebra-cabeça. Tropeça nas palavras. Se irrita. Recomeça.

Luta de classes

As coisas estão ficando mais claras no Brasil.
As classes estão ficando mais claras no Brasil.
E a guerra se torna mais evidente.

Não gosto de cinema

O cinema é fabuloso, fantástico. E, justamente por isso, eu não gosto de cinema. Quanto melhor o filme, maior a possibilidade de eu não ir vê-lo. Por que o cinema cinde minha mente e me inscreve em uma realidade diferente e estranha. Não! Isso não bom! 

Sobre mestres e aprendizes

Mestres ensinam com os olhos, com os gestos, com as ações.
Neles, o conhecimento é passado como em encantamentos, sem que a gente nem perceba de onde vem...
Mestres sabem ouvir e aproveitam tudo o que lhes é dito. Mesmo as palavras mais simples. Mesmo as coisas mais bobas e grosseiras.

A mestra

Rosi sabe muito da vida.
Muito mais que eu.
Ela aprecia a arte por que tem estrelas nos olhos, não pelo tanto que leu ou aprendeu.
Rosi lê a vida, não apenas os livros.
Estes ela aprendeu a amar: mas eles despertam o que nela já é vivo - um imenso amor pelo ser humano.

O público

Estranha energia esta que liga público e atores em uma peça de teatro...
É possível sentir a vibração.
É quase possível enxergar os átomos e moléculas se movimentando e cruzando os limites do palco.
O ator se renova.
Todo sacrifício, de noites e mais noites de insones ensaios, esgota-se em um piscar de olhos.
(Eu, que jurei tirar longas férias do teatro, estou prestes a descumprir meu juramento)

Tari se vai

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Rita vai embora. Mais uma das minhas que se vão... Como Mariângela. Como Anamaria. A próxima, qual será? Que dom é esse, tão terrível, de ver meus amigos caminharem longe?...

Escravo da vida

Para viver de sua arte, ele precisa matar a arte em si.
E me liga, triste. Não consegue dar conta do tempo que lhe falta.
Saudade de quando as queixas eram pelas passagens de ônibus que faltavam. De quando era possível ler, criar, trabalhar em grupo, estudar, ou "perder" tempo.

19 segundos

Em 19 segundos, foram falhas suas tentativas de tentar parar o mundo.
Em 19 segundos, a pista chegou ao fim, e só lhe restou o muro.

Coisas da política

Júlio queria mudar o mundo. Achava que a renda era mal distribuída. E que era função sua tentar fazer as coisas mais justas. Entrou no partido com 23 anos. E muitos sonhos...

Tarde demais

Marina tinha pressa. Passava das 13h30 e ela tinha compromisso às 14 horas. Olhou o relógio e fez contas na cabeça: - em dez minutos chego à parada, conto uns cinco minutos de espera pelo ônibus, mais quinze minutos para chegar à parada destino. Ainda assim, chegaria atrasada. Afinal tinha o tempo da caminhada até o local do compromisso. Apressou o passo.

Primeiros passos

Estou reaprendendo a escrever.
Permitam confessar: um dia já soube fazê-lo. E achava que era hábil no que fazia...