7 de janeiro de 2013

Lampião do asfalto

Este poema foi inspirado em uma figura lendária: Lampião.
Não o Lampião cangaceiro, anti-herói do sertão.
Falo de um Lampião moderno, não menos valente.
Falo daquele cangaceiro que passeia pelas ruas, bares e mercados do Recife, vendendo cordéis, cantando e brincando.
Contador de histórias por natureza, ele garante que é descendente do cangaço. E, no último domingo, me legou mais uma história: garantiu que, quando era mais tarde, trabalhava no necrotério e varava madrugadas com defuntos. Passara inclusive a virada de ano abraçado com um presunto. Isso foi o que ele me contou. Se é ou não é assim... já é uma outra história. Mas a inspiração poética veio, talvez por me achar cercada de poetas em dia de lançamento do livro de Valmir Jordão. Então rabisquei assim em um pedaço de jornal:

De dia ele canta, brinca, vende poesia
À noite é a morte que o atravessa
o silêncio longo de quem não tem pressa
O necrotério à noite,
a vida de dia.

De manhã é história de valentia,
cangaceiro do asfalto,
herdeiro de Lampião,
Dom Quixote urbano e senhor dos defuntos
Um sorriso no rosto e a poesia no cordão.
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