19 de outubro de 2009

Tempos do tempo

Esqueço as vezes que o tempo correu.
Sou besta como criança
e ando na corda bamba, como adolescente...

A vida faz questão de me lembrar de esquecer...
que o tempo correu.
Coloca em meu caminho pedaços renovados de mim.

Vejo espelhos à minha volta que subvertem o tempo
e me oferecem jovens nos quais me reconheço,
alguns anos atrás.
E com eles converso como se tempo não houvera entre nós.

Tenho pessoas à minha volta que subvertem o tempo
e guardam juventude e infância no coração de quase meio século.
E rio com as brincadeiras de meu compadre.
E me enfureço com a instabilidade adolescente de meu amado.
E vejo que, para eles, o ponteiro do relógio deixou de rodar

Por isso,
faço questão de esquecer que o tempo corre.
Por que há,
em cada tempo,
todos os tempos.

E eu sou assim, criança-jovem-e-velha
neste dia em que completo mais um ano de passagem:
16 de outubro
Leia mais...

5 de outubro de 2009

Sonho semente

A menina esqueceu um pedaço de sonho no quintal.
Sonho de infância.
Destes rechonchudos e recheados.
Com cheiro de festa e sabor de chocolate.
Colorido, com todas as cores do mundo e de fora do mundo.

A menina cresceu,
cada dia um pouquinho.
E uma semente germinou.
Fez-se árvore grande,
imensa,
a empurrar as outras,
derrubar os muros da casa,
deitar raízes sob os alicerces das construções.
Era preciso derrubá-la.
Ou ela destruiria tudo.

A moça agarrou-se ao tronco.
Mas removeram-na de lá.
Ela, então, teve uma idéia:
subiu o mais alto que pôde,
se alimentou das frutas que ninguém via.
Depois desceu, e deixou que derrubassem a planta grande.
Abriria os braços e elevaria os olhos ao céu
para que sua árvore dos sonhos crescesse imensa dentro de si.

Tela de Berta Andrade Malhinha
Leia mais...
 

Palavras-pontes Design by Insight © 2009