20 de setembro de 2010

Céu de estrelas ou pequena história de como se constrói esperanças

Este texto foi produzido antes das eleições que levaram João Paulo à Prefeitura do Recife. Republico agora, conclamando todos a votarem nele novamente, desta vez para deputado federal. E, para a Assembléia Legislativa Estadual, o seu fiel escudeiro Múcio Magalhães.

Ela acordou com os olhos nublados de céu. Seu peito se inflava de uma agonia risonha, daquelas que nos faz ouvir música em cada sopro de vento. Olhou-se no espelho e se achou bonita. Dispensou os cremes e as tinturas em pó para vestir-se com seu próprio arco-íris.
De repente, depois de anos a fio, ela voltara a acreditar nos homens. Passou até a enxergar asas de anjo nas sombras das pessoas. Uma névoa azul lhe encobria o mundo e ela sentia que era gostoso acreditar.
No dia anterior, um domingo, ganhara uma rosa. Não uma rosa de barganha, a pretender noites e abraços furiosos. A flor lhe fora dada por uma adolescente, de riso tímido, que vestia um vermelho estrelado e dizia que sua cidade ainda pode mudar.
Aquele não era, de fato, um domingo comum. De todas as partes e de todos os bairros, pessoas vestidas de estrelas tingiam de vermelho as ruas cinzentas.
Era uma gente que ainda acreditava nas gentes. E que, qual uma bandeira, punham nos ombros aquele moço magro, desajeitado... mas que era o porta-voz de seus sonhos e desasossegos.
Era gente que, como ela, a vida inteira trabalhara, sofrera, suara. Era gente que, como ela, tinha a esperança alquebrada pela maldade do mundo. Mas era gente que decidira acreditar.
Ela, então, se enebriou dessa euforia de estrelas. E, no dia seguinte, tingiu de vermelho seu céu, e tingiu de céu seu olhar. Pintou asas em sua sombra, deixou as cinzas na gaveta e abriu as portas de seu mundo. Carregou uma rosa e uma bandeira. E apostou em si mesma para forrar de estrelas as noites de cada um.
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13 de setembro de 2010

Declaração de voto


Eu acredito: existe ainda quem resista aos afagos do poder - pessoas e políticos.
Eu acredito: existe ainda quem ponha os desejos coletivos acima das vaidades individuais.
Eu acredito, apesar de tudo.
E por isso voto.

Não tenho mais a inocência de quem achava que era possível mudar o mundo sem alianças nem composições.
Mas acredito que cada concessão só possa existir em nome de um princípio maior - solidário e, por que não dizer, socialista.
E cada passo dado de banda deva equivaler a, pelo menos, três passos para a frente.
Não sou mais inocente.
Mas acredito.
E por isso voto.

Não tenho ido às passeatas, caminhadas...
Não tenho feito porta-a-porta nas fábricas ou participado de reuniões com a comunidade...
Não sei pedir voto, como não sei dar conselho a quem não me pede.
Mas tenho a palavra e dela posso fazer uso para falar de quem confio.

E uma destas pessoas chama-se Múcio Magalhães.
Posso falar dele porque conheço. E bem. Até porque trata-se de pessoa muitíssimo verdadeira. Sei, portanto, de seu cuidado com os amigos, sua fidelidade, sua coerência. Sei também de sua teimosia, que há de ser um pouco teimoso para perseverar, apesar da maré...
Em Múcio, eu acredito.
Por isso voto.

E uma destas pessoas chama-se João Paulo.
Posso falar dele porque já deixou sua marca no Recife.
E, por isso, quero,
não apenas que ele seja eleito,
mas que ele tenha uma votação estrondosa,
para que outros vejam que o povo sabe dizer que tipo de prefeitura o satisfaz.

Nestes eu acredito.
Por isso voto: 1333 e 13133.
João Paulo - deputado federal. Múcio Magalhães - deputado estadual.
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1 de setembro de 2010

O Grito

O aperto no estômago. Como fome. Como soco no ventre.
Ela parou, respirou fundo... sabia o que viria a seguir.
Procurou um lugar vazio, mas não conseguiu chegar até lá.
Ali mesmo,
em praça pública,
aos olhos dos evangélicos que entoavam coros e aleluias,
em meio às putas,
aos bêbados,
às crianças,
aos comerciantes...
ali mesmo jorraram as palavras em vômito interminável.
Vieram banhadas em sangue,
cobertas da nódoa verde que apodrecia sua garganta.
E mesmo as putas,
mesmo os bêbados,
mesmo os crentes e as crianças
sentiram ânsias de chorar.
Porque as palavras que calavam em si criaram raízes,
e quando escaparam,
arrancaram-lhe um pedaço da alma.
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