23 de julho de 2012

Palco Vazio

A solidão é o fato.
Ninguém
jamais
saberá
o que guardas por trás do sorriso.

Aos amigos
poderias tecer narrativas.
Mas da corda que te aperta a garganta
ninguém
jamais
saberá a dor

E o salto que te leva ao abismo
ninguém nunca experimentará por ti.

A solidão é o fato.
Ser humano é ser sozinho
ainda que cercado de amigos
ainda que coberto de graças

No picadeiro do mundo,
plantas sorrisos
que não são teus
e quando despencas no oco da cena,
resta só o vazio.

Da solidão
e da saudade.

(Homenagem ao ator Bobby Mergulhão)
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18 de julho de 2012

Rastros de Joseph Lingua

Fragmentos de impressões causadas pelo livro, de Pedro Américo de Farias, "A viagem de Joseph Língua":

... essa conversa sem eira nem beira papo ébrio sem começo meio ou fim somente passagem
passagem
passagem

brincadeira de sons e línguas desta gente de por aí e o olhar que as atravessa empurrando-lhe a faca na alma e desfazendo-as em palavras

mil e uma veredas que se encontram e desencontram nesta estrada nossa de cada dia amém

tudo e todos um cão uma rua um bar um beco um homem mil personas tudo e todos no imenso liquidificador da vida triturado moído e jogado ao vento semeando linguagens

a poesia
meio sonho meio sanha meio sina que insinua que assassina que se assanha e salta em cima
neste lugar
que é outro
fugaz
feroz
foice foi-se
desencontrou-se de si

este si
este sinal de pontuação
o ponto a marca a nossa exclamação
e a república império monarquia cria de monstros e deuses à caça de votos latifúndios desertos destinos ciganos para marcar à ferro

e eu rio
um rio de impressões deslocadas e sombras desconexas

e algumas coisas mais que se perderam em meus atalhos

e ponto. nunca final

(O livro "Viagem de Joseph Lingua", de Pedro Américo Farias, foi publicado pelo Ateliê Editorial e está à venda nas livrarias. Eu recomendo.)
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11 de julho de 2012

Murmúrio de flores

Guardo, de minha tia Jota,
a lembrança de um perfume
vestígios de flores em seus cabelos
e uma voz baixinha
uma reza mansa
como murmúrio de brisa na beira do mar...

Guardo, de minha tia Jota,
a lembrança do gosto pelos livros
que seus olhos já não podiam ler...

A vida foi dura para ela:
cobriu-lhe com o escuro
e a solidão.

Hoje,
aos 97 anos,
ela pôde, enfim, descansar.
Então, fez-se luz em seus olhos
e um cheiro de jasmins varreu a minha casa.
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