24 de fevereiro de 2012

Olhos tristes


O poema abaixo é da professora Risoneide Alves.
Riso, como a conheço, não é apenas uma educadora. É alguém que ama cada um de seus alunos. E que tem por seu ofício uma dedicação imensa.
Lá, na cidade de Timbaúba, ela reinventa a vida para dezenas de crianças dos sítios mais esquecidos e das comunidades mais carentes.
A professora Riso escreveu este poema para a pequena Vanessa, uma de suas alunas, destas que tem a vida marcada pela solidão, pelo abandono, pela aspereza da realidade.
Durante alguns dias, e graças à sua professora, Vanessa conheceu um mundo diferente. Escreveu poesia e pensou que poderia ser também uma professora ou, quem sabe, trabalhar no Instituto Ecofuturo. Durante alguns dias, Vanessa se percebeu como de fato era: linda, de corpo e alma.
A professora Riso conheceu de Vanessa a tristeza. Nós conhecemos apenas a doçura de seu sorriso. Eis o poema de quem sabe de Vanessa muito mais do que nós:

"Olhos tristes
Pensantes na vida
Vida marcada na dor
Olhos vibrantes,
Sem cor...

Olhos tristes
Ansiando atenção
Puros, ainda, nesta lama
Que navega um corpo
Carregado de emoção.

Olhos tristes
Capuzes da alma limpa
Que triste sina carregas
A vida que te moveu ao sofrimento
Quis-te feliz por pouco tempo! ...

Tempo curto
“Vida imensa”
Corpo pequeno num mundo de dor

Caminho desfeito na ida
Na hora certa
No dia determinado,
Ponto certo da partida

Olhos tristes,
Tristes por resgatar
A dureza da tua vida..." (Risoneide Alves)
Leia mais...

12 de fevereiro de 2012

Um anjo que voou


Por que???
Se Deus existe, porque leva os anjos pra outras estrelas?
Porque não os deixa mais tempo por aqui, para dar exemplos ao mundo?
Seu nome era Vanessa, e tinha a delicadeza dos anjos.
Doze aninhos apenas e as mãos cheias de abraços.
Conhecê-la foi o maior presente que recebi do Ecofuturo: menina doce, a falar de um mundo feito de carências, mas pleno de afetos. Em seu casebrezinho, isolado em um pequeno sítio na área rural de Timbaúba, ela descobria as letras.
Era o encanto de sua professora, a dedicada Risoneide. Era o único bem de sua mãe, dona Josefa. E um bem tão precioso que encantava a todos que a conheciam.
Porque Vanessa era, de fato, um anjo.
E assim como veio, partiu, sem dizer como nem porque.
Talvez tenha ido levar sua luz a outros mundos...
Mas e o nosso, como fica agora, que lhe roubaram uma estrela tão encantada???
Fez-se um oco no meu coração!!! E eu, que deixei a rotina me atropelar, e não lhe mandei sequer uma cartinha...
Leia mais...

2 de fevereiro de 2012

Postagem para um dia de enxaqueca



Desatarrachou a cabeça e guardou na gaveta.
Livraria-se, assim, de três coisas:
- a enxaqueca,
- os pensamentos,
- as lembranças.
Estranho ninguém ter percebido a ausência.
O que restava era apenas o corpo.
Mais nada.
O corpo dormia, acordava, comia, trabalhava, e não sei bem por que boca, até mesmo dava bom dia.
Mais nada.
Mas a cabeça, trancada na gaveta, não parava de pensar.
E, de tantos pensamentos, a gaveta pesou.
Muito.
E a escrivaninha inteira desabou, deixando rolar a cabeça pelo chão.
Quando o corpo chegou, as mãos viram os olhos.
E os joelhos pressentiram os pensamentos.
E os pés vislumbraram as lembranças.
O corpo retomou a cabeça.
E tudo voltou ao normal:
pensamentos,
lembranças...
e enxaqueca.

(Imagem de Salvador Dali)
Leia mais...
 

Palavras-pontes Design by Insight © 2009