19 de maio de 2008

Para Carlos Marculino

Recebi, ainda agora, o chamado de Pablo para juntarmos os amigos de minha primeira peça de teatro.
Eu, então, era estreante, aprendendo a tatear a arte dos palcos.
E tive sorte.
Tive sorte de conhecer um mestre, destes que a gente não vê entre os grandes medalhões da cena pernambucana.
Chama-se Carlos Marculino. E virou estrela, recentemente. Não estrela global. Mas estrela de uma das constelações que brilham na memória da gente.
O chamado de Pablo acendeu esta estrelinha. De um cara que escrevia teatro para ser encenado na rua. E falava sobre posse de terra e distribuição de riquezas. Que tudo fazia com o maior esmero, sem esperar elogios. Que a cena pernambucana sempre desconheceu, mas não a comunidade da Várzea. Um cara que me deixou este hábito de procurar as margens e entrelinhas. De preferir o teatro feito em grupo, que deixa recados e mexe com a gente sem precisar de holofotes.
O chamado de Pablo atiçou cheiros antigos. De batata-frita com cerveja no boteco da Várzea, contando as horas entre o ensaio e o último ônibus CDU. Gravou em mim a imagem de Carlos, que andava esquecida - embora marcada em minha memória.
Soube por acaso de sua migração, tantos anos estávamos afastados. Uma sua aluna me contou. Mais tarde, a rosa me falou que ele fôra embora em plena partida de futebol. Abandonou o jogo, assim, de repente. Mas, antes, quantos gols não fizera para quem jogara no seu time!...
Gostaria muito que ele estivesse presente em nosso encontro. E ele estará, sem dúvida.
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7 de maio de 2008

Hiato

De repente, sem aviso, chega o cansaço.
Não o cansaço físico, tão bem vindo às vezes
Mas um esgotamento de tudo,
o por-um-fio,
a ausência.
Em vão acesso os blogs preferidos,
em vão folheio um livro,
em vão.
Um aperto no útero,
que me comprime a bexiga.
Não há vontade de chorar.
Não há vontade.
Nada.
Minhas esperanças e desejos de mudança
meteram-se sabe lá onde.
Foram levados, quem sabe, por esta chuva que cai do céu.
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6 de maio de 2008

O que você quer ser quando crescer?

Entre as crianças do Coque, o ideal de trabalho tem poucas facetas.
Meninas querem ser professoras.
Meninos querem ser jogadores de futebol.
Ou polícia.
Médicos, escritores, advogados,
artistas, políticos ou jornalistas...
nada disso existe.
Minto.
Os médicos, na verdade, são os doutores das ambulâncias.
É esta a referência que eles têm dos que cuidam da saúde do cidadão.
Eles chegam quando a morte já espreita.
Nas ambulâncias, para levar os moribundos, vítimas de bala quase sempre.
Entre as crianças do Coque, os sonhos são simples.
O pequeno Leandro quer consertar coisas.
E há, de fato, muitas coisas a consertar.
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