3 de novembro de 2008

Os três porquinhos

Era uma vez três porquinhos, um pobre, um rico e um remediado.

O porquinho pobre construiu sua casa de madeira.
Não tinha dinheiro para comprar tijolos.
Era só um velho colchão,
um fogareiro,
uma televisão velha,
os trapos,
o chão cru.
Quase nada.

O porquinho rico comprou uma casa de alvenaria. Linda.
Em condomínio fechado, com seguranças à porta.
Piscina, academia de ginástica, parques, salão de jogos, e até cabeleireiro.
Muro alto.
Quase tudo.

Então veio o fogo.
Uma vela, talvez.
Ou um bujão de gás...
O certo é que se espalhou pela favela,
carregando madeiras, criando pó,
levando tudo de quem não tem quase nada.

Não levou a casa do porquinho rico.
Ele continua entre seus muros,
enquanto o outro chora suas novas perdas.

Ah! Esqueci de falar do terceiro porquinho, o remediado.
Este não construiu nem comprou nada.
Paga o aluguel, fazendo contas no final de cada mês.
E finge não ver a crueza das diferenças.

Esta fábula foi inspirada em mais um incêndio na Comunidade Beira-rio, nos Coelhos. Em poucos minutos, o fogo levou tudo, pela quarta vez, a segunda apenas este ano.

3 comentários:

SIMONE GOIS disse...

Oi Luna,
Interessante o texto, e infelismente tão real.

"a sobrevivência em luta severa deixa em profunda espera a luz tardia da libertação"

Beijos
Dá um pulinho no MEUS TEXTOS, ficarei honrada.
beijos
simone

Luna Freire disse...

É Simone... a realidade é uma crônica triste, com lampejos de alegria.

Já adicionei teus textos aos meus favoritos. De vez em quando, eu dou uma passadinha por lá. Um abraço. E apareça sempre por aqui.

Urariano Mota disse...

Fabiana, olha só o que Ral desenhou sobre a fusão Itaú/Unibanco. Está em http://ralmildo.blog.uol.com.br/index.html
Se der tempo, não poderia ser aproveitado no JB?
Abraço, Urariano.

 

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