5 de outubro de 2009

Sonho semente

A menina esqueceu um pedaço de sonho no quintal.
Sonho de infância.
Destes rechonchudos e recheados.
Com cheiro de festa e sabor de chocolate.
Colorido, com todas as cores do mundo e de fora do mundo.

A menina cresceu,
cada dia um pouquinho.
E uma semente germinou.
Fez-se árvore grande,
imensa,
a empurrar as outras,
derrubar os muros da casa,
deitar raízes sob os alicerces das construções.
Era preciso derrubá-la.
Ou ela destruiria tudo.

A moça agarrou-se ao tronco.
Mas removeram-na de lá.
Ela, então, teve uma idéia:
subiu o mais alto que pôde,
se alimentou das frutas que ninguém via.
Depois desceu, e deixou que derrubassem a planta grande.
Abriria os braços e elevaria os olhos ao céu
para que sua árvore dos sonhos crescesse imensa dentro de si.

Tela de Berta Andrade Malhinha

5 comentários:

Cajá disse...

No quintal os sonhos estarão vivos em qualquer momento, a cada visita a esperança de vê-los virar realidade. Um beijo.

Magna Santos disse...

Há mesmo sempre um jeito de realizar e reproduzir os sonhos.
Beijo.
Magna

Cleyton Cabral disse...

Que coisa linda, Fabi. Beijocas.

Magna Santos disse...

Fabiana, lembrei de você neste blog sobre Cordel: http://cordelirando.blogspot.com/
Abraço.
Magna

Josias de Paula Jr. disse...

Simbólico... A morte do sonho que se faz realidade e que incomoda a alguns, renasce dentro de nós para um dia brotar de novo... e talvez pra sempre.

 

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