18 de novembro de 2010

Para Chaves, minha despedida

Chaves, nosso velho sábio, conselheiro, professor...
por que desististes de viver?
Tu, que andastes sempre entre o abismo e o vôo...
Tu, que equilibrastes em cada palma da mão a sensatez e o seu reverso...
Tuas análises políticas, tuas coerentes observações, tua militância... tudo isso fazem de ti mais que um intectual ou professor.
Fazem de ti um companheiro de luta.

Falhamos contigo, camarada.
Não se abandona um soldado ferido no campo de batalha.
Nós o fizemos.
Deixamos tua alma sangrar
e sequer percebemos a extensão de tua dor.

Falhamos contigo, camarada.
Jamais acreditamos que tinhas sido ferido em teu ponto mais vulnerável:
a esperança
e a auto-estima.

Soube que terias alta hoje.
Voltarias à vida,
retornarias ao mundo.
Teu coração não aceitou este retorno.
É que teu corpo se recuperara, mas a alma ainda sangrava.

Espero que agora, onde quer que estejas, que estejas inteiro.
E que nos perdoes, companheiro!
Que tua viagem nos sirva de exemplo para que não deixemos que a rotina e dureza do mundo transforme em pedras nossos corações.

3 comentários:

Sulamita Esteliam disse...

Lindo poema, Fabi. Chaves merece.
linkei lá no A Tal Mineira, na matéria sobre a viagem do nosso querido amigo.
Abração.

Dimas Lins disse...

Fabiana,

Perdi recentemente um amigo do trabalho. Convivemos juntos por cinco anos na mesma sala.

Comecei a escrever uma crônica sobre sua partida no Estradar, mas não consegui terminar. As lágrimas foram mais forte do que o ofício de escrever. Por isso, ficamos assim: quando for possível tornarei a escrever.

Espero que seu poema ajude aos amigos e parentes de Chaves, a quem não tive a oportunidade de conhecer, a minimizar um pouco a dor.

Abraços,

Dimas Lins

Daniella disse...

Fabiana,que linda homenagem.Muito obrigada de coração.Suas palavras parecem terem sido escritas com a alma e conseguiram transmitir tudo aquilo que nós também sentimos. Valeu mesmo, Daniella

 

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