7 de abril de 2011

Assassinato da infância

Suas vinte Barbies,
suas trinta Pollys,
e os bebês que falam andam e cantam em inglês...
estão mortos
estão mofados
não brincam
não andam
não tem mais nome
nem vez
Seus brinquedos estão nas telas
computadores
celulares
e nas meninas que vão ao shopping e aparecem nas TVs.

Estrangularam a infância em um shopping lotado
e na praça vazia
deixaram o corpo,
enterrado.
E quem passa por lá
as vezes ouve
as vezes vê
sombras de brincadeiras
de pega-pega
de esconder...

Nos destroços do balanço
do escorrego
e da gangorra
um suspiro de menina
que mesmo viva
talvez morra

Assassinaram a infância
em um pátio escolar
e com ela todos os sonhos
de ser famosa
e popular

Esquartejaram a infância
em um programa de televisão
mas ainda há quem procure
onde esconderam
o coração.

3 comentários:

Nicolau de Cusa disse...

Minha doce Luna,
Fiquei muito feliz por ter vocês ontem na plateia de Voragem. Não desci da cabine por que o aparelho deu bronca e não quiria liberar o CD do audio e eu estava um bocado aprerreado e estava esperando o cabra lá do teatro vir para me ajudar a liberar a mídia. Também estava chateado com umas coisas que aconteceram durante a récita e não queria falar com ninguém. Se tivesse lá uma porta para dar na rua, eu tinha ido embora sem trocar palavras. Mas isso não tem nada a ver com você nem com Cajá e eu peço desculpas, se acaso isso lhe chateou. Depois, outras horas, quando tiver tempo, gostaria de conversar sobre as suas impressões.

Beijos,

Quiercles

E manda um abraço grande para Cajá e beijos para as crianças.

Luna Freire disse...

Não se preocupe, Qui. Marcamos depois pra tomar um vinho e conversar sobre Voragem.

Magna Santos disse...

Este teu poema me lembrou o livro: "O Desaparecimento da Infância" que traz algumas dessas reflexões e outras mais.
É isto mesmo, Fabiana. Um bombardeio nas nossas crianças.
Ainda bem que estamos enxergando. Assim, resta uma esperança e ela não é pouca não.
Beijos.
Magna

 

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