11 de abril de 2013

Uma historinha pra quem defende a redução da maioridade penal


Seu nome era Lucas, 15 anos.
Cresceu em meio aos ratos, em uma casa em que se aglomeravam irmãos. Dormiam no chão duro, amontoados.
A mãe reproduzia entre os filhos a privação de tudo, inclusive de limites.
Pela manhã, a libertação era a rua, único espaço de alegrias e brincadeiras.
Crescido em meio a ausência, Lucas não sabia o que eram regras.
A vida, para ele, era uma sucessão de momentos que ele precisava aproveitar rápido, porque a morte e a polícia rondavam, sempre.
Nunca lhe ensinaram a conviver. Era aceito apenas nos círculos de iguais: um exército de excluídos sobre quem pesava a condenação antecipada. E sem julgamento.
Expulso da escola, era o menino do qual todos desistiram.
Mas, as vezes, quando estava só, gostava que lhe lessem histórias sobre as estrelas e os planetas, como se longe da terra pudesse haver, quem sabe, um espaço para ele.
De longe, ele via as crianças com brinquedos, roupa nova e celular que tira foto.
E a tela da TV o convidava para um mundo no qual ele não podia entrar: de guloseimas deliciosas, tênis da moda, jogos de Play Station e mil produtos a consumir.
Um dia, alguém ofereceu a Lucas dinheiro. Era só levar um pacotinho...
Ele gostou.
Foi ficando.
Ali, naquele grupo, todos o aceitavam. Ele estava entre iguais.
Foi ficando.
Foi gostando.
Roubou um celular. Agora, poderia tirar fotos, como as outras crianças.
Sua casa era pesadelo, foi ficando na rua...
Sua mãe desistiu dele, como todos.
Uma noite, um corpo foi encontrado crivado de balas numa margem de rio.

PS: Essa é uma história fictícia, mas retrata uma porção de histórias reais. E ainda tem quem queira defender a redução da maioridade penal!!! Prisões não educam o que uma vida inteira de exclusão e privações deseducou... Pelo contrário, retiram qualquer esperança que ainda restava para crianças como estas.

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