4 de maio de 2013

Dança da vida


Percebeu, um dia, que já não escutava bem.
Havia, com ela, uma surdez estranha que precisava curar.
Em seus ouvidos, o martelar de teclas, buzinas e lábios que se moviam.
Em seus ouvidos, o ronco dos automóveis e dos passos de quem tem pressa.

Mais nada.

O som dos ventos fazendo bailar as árvores
ela não ouvia.
O som das ondas lambendo as areias na praia
ela não ouvia
Até mesmo as risadas de suas crianças
se confundiam com o tic-tac dos ponteiros do relógio.

Sorte sua perceber a tempo sua grave enfermidade!
Pôs um samba pra tocar
e fechou os olhos.

seu corpo, cimentado por dentro, amoleceu
e ela dançou.

e ao soltar o corpo,
soltou também a alma que virara pedra.

Abriu as janelas de si
e voltou a sorrir para o mundo!!!

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