2 de agosto de 2007

19 segundos

Em 19 segundos, foram falhas suas tentativas de tentar parar o mundo.
Em 19 segundos, a pista chegou ao fim, e só lhe restou o muro.
Em 19 segundos, não lhe foi possível rever tristezas e alegrias: uma filha, uma mulher, um bate-papo com os amigos. Uma briga chata, o trabalho quase escravo, sua ausência na vida.
Em 19 segundos, nenhuma despedida.
Em 19 segundos, apenas a certeza do muro - ou do abismo.
18, 17, 16... sem freios, sem controle, a pista que chega ao fim
10, 9, 8... o desespero, a tentativa vã de controlar a máquina
4, 3, 2... a certeza da morte, os gritos
... o fim.

Eles não viram quão tristes as tentativas de explorar politicamente suas próprias mortes.
Eles não viram seu desespero exposto aos olhos do mundo inteiro, sob a justificativa de investigação.

Viveram para voar. Sem descanso. Sem trégua. Horas e horas de vôo.
Viveram para garantir os lucros incessantes de seus patrões.

Outros voavam com eles. Mas nenhum tinha consigo as rédeas da morte. Nenhum tinha consigo este cavalo indomável, açoitado pela ganância das empresas aéreas.

Este meu escrito é para Kleyber Lima e Henrique Stephanini, piloto e co-piloto do avião da TAM que explodiu no dia 17 de julho.

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