19 de novembro de 2007

Pobreza tem cor

Algumas perguntinhas para você, de classe média, que diz que racismo não existe no Brasil:
- Na escola de seu filho, quantos negros estudam?
- E na faculdade onde você se formou, quantos havia de cor preta?
- Nos bancos onde você guarda ou já guardou seu dinheiro, quantos gerentes dessa etnia?
- E nos restaurantes que você frequenta, eles sentam à mesa, junto com os clientes? Ou estão na cozinha, a preparar o peixe e lavar a louça onde você comeu?
- Nas historinhas que você lê para seus filhos, de que cor são as princesas e príncipes?
- E nas novelas que você assiste, quantas vezes eles são mocinhos ou heróis? E quantas vezes eles estão nas cozinhas, servindo alegremente a sopa do patrão?

Agora, pergunto:
- Entre os que morrem assassinados, pela guerra do tráfico ou pela "limpeza" nas favelas, quantos são negros?
- E qual a cor da maioria das empregadas domésticas? Ou dos meninos que tentam lavar, quando você não os espanta, o pára-brisa de seu carro?
- Qual a cor das crianças que dormem no gramado do Canal de Setúbal, por onde você passa quando vai para seu apartamento na praia de Piedade?
- De que cor é a pobreza no Brasil?

Eu vos digo que a pobreza tem cor. Eu vos digo que os negros libertos foram condenados à ela. E que não basta força de vontade para escapar a isso. Por mais que diga o contrário a revista que você lê. É preciso consciência de guerreiro. É preciso guerrear, todos os dias! E as armas são a palavra, a arte, a educação de nossas crianças.

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