29 de maio de 2009

Lembranças de adolescência

Ele era lindo, loiro, despojado,
usava uma calça jeans bem justa,
e arriscava umas notas no violão.
Ela era pequena, bobinha
e cheia de romances na cabeça.
Enquanto ele ocupava as noites,
nos bares e boates,
rodeado de meninas lindas e modernas,
ela enchia seu sono de histórias de amor.
Um dia, ele deixou de freqüentar a sua rua.
Não ia mais às festinhas,
não tocava mais seu violão.
O tempo passou
e sua ausência assombrou,
como um fantasma,
as noites da menina.
O tempo passou.
A menina continuou pequena,
mas seu pensamento criou asas.
Foi quando ela resolveu enfrentar seus fantasmas.
Pegou o telefone.
Ligou.
Ele já não lembrava seu nome,
mas ela não se deixou intimidar.
E os dois marcaram para sair juntos.
Ele foi buscá-la de carro
e a levou a um barzinho simples, próximo à praia.
Eles conversaram,
lembraram histórias,
riram juntos.
Mais nada.
Cada um seguiu sua vida.
Ela cresceu, frutificou, construiu novos sonhos.
E do passado não restaram sombras, apenas lembranças.

3 comentários:

Magna Santos disse...

Parece que quando enfrentamos nossos fantasmas, estamos aptos para encontros valiosos, onde a luz não cede lugar a sombras.
Beijos.
Magna
Obs.: adorei a imagem da ponte. Linda demais! Perfeita! Fiquei com uma vontade de te imitar e colocar uma bem bonita em Sementeiras. Mas vou ficar só na vontade. Não tenho essa destreza tecnológica.

Josias de Paula Jr. disse...

A única forma de combater fantasmas é confrontá-los. Mas a forma como encadeaste a narração é perfeita. É um miniconto. Simples, condensado. Certeiro!

ps: Disseste que foste do Estuário ao Estradar; deste aos Inscritos e dele ao Sementeira. Quer explicação melhor para isso que o nome de blog?! São as pontes constrídas pelas palavras, moça! São as palavras-pontes!
Um forte abraço pra tu.

Cleyton disse...

que nostálgico, que lindo. Saudades de tu!

 

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