11 de maio de 2009

Para minha mãe

Mãe, eu cresci.
Hoje, sou eu quem canto para meus filhos
cantigas de ninar com a lua
Mas quem me sopra a canção aos ouvidos
é uma outra voz:
a tua.

Hoje, sou eu quem corro
entre o trabalho, as crianças,
contas a pagar.
Mas a mão que me guia
está em minhas lembranças,
por que tenho tua imagem
para me espelhar.

Hoje, sou eu quem põe de castigo,
dá sermão, põe cara feia,
diz que não e diz que sim.
Mas, pela minha boca,
fala também a tua,
pois foi você quem me fez ser assim.

Hoje, sou eu que não durmo
noites inteiras,
quando as crianças adoecem.
Amanhã, esperarei acordada
que o dia as devolva
dos bares e boates,
enquanto meus sonhos anoitecem.

Amanhã, os verei se afastarem,
criarem raízes,
flores, sementes.
E sentirei que o tempo deita ramos
e se espalha, eterno,
em cada uma das gentes.

4 comentários:

Poeta Carlos Maia disse...

Belíssimo poema, Fabiana!

Magna Santos disse...

Por enquanto, criei raízes, algumas flores, dedico, de vez em quando, uma sombrinha boa para quem me procura, só me faltam os frutos e novas sementes germinadas do encontro de vidas.
Me falta ainda muito, Fabiana. Mas, lendo você falar assim da maternidade e vendo ela estampada em tantas almas queridas para mim, me sobra alento e certeza dessa coisa boa que é ser mulher. Mulher, parece, já nasce germinada.
Porém, você não falou apenas da maternidade, mas do teu amor e do amor de tua mãe.
Ah, mas as palavras são mesmo pontes, né? E o caminho é o coração.
Beijão.
Magna

Cleyton disse...

Chorei. Que lindo Fabi.

Margô e Margarida. disse...

Que coisa linda irmã... Eu e mainha choramos !! Te amamos.

 

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