3 de maio de 2010

O assediador

Cuspiram em sua alma,
jato de pus,
catarro...
E enquanto aguarda a própria putrefação
ele confere as aplicações no banco
e os modelos do próximo carro.

Sua alma,
escarrada,
exala a infecção.
Ele vomita germes
e espalha nódoas.
Depois recebe a comissão.

E à sua volta,
dividem-se os homens
entre podres e insanos.
Ele lê a Veja,
frequenta a igreja,
e planeja as viagens dos próximos anos.

Sua alma,
infectada,
roubou-lhe a visão.
Do alto de seu trono de vento,
ele recebe
a carta de demissão.

1 comentários:

Luiz Carlos Monteiro disse...

Fabiana,
o blog está ótimo. Esse poema é muito forte, chega a ser cruel em seu realismo. O homem mediano, conformista está retratado aqui com tudo o que merece. Sua ferida exposta é a própria ferida do país que navega cada vez mais em marés de conservadorismo. Mas não podemos perder a esperança nem renegar o nosso pensamento e a nossa ideologia.
Salve,
Luiz Carlos

 

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