13 de julho de 2011

Dois minutos



No centro do palco, foco em um ator, que aponta os dedos em riste para a plateia, como se fosse uma arma, enquanto conversa em um celular fictício.

ATOR 1 - Já. 'Tou aqui sim. Na espreita. Trouxe o calibre 38. É... é um cara só né? Eu sei. Sei... claro! Se o negócio esquentar, seria bom o fuzil 762. Mas acho que, pra esse negócio daqui, o 38 dá jogo. Pois é, vacilou né? Vamo' mostrar pros cara quem é que manda nesta parada. Eita, ele tá saindo... Vai ser agora, cara. Tô desligando!

No fundo do palco, a luz começa a delinear a sombra de um outro ator. O primeiro se vira de costas para a plateia. Aponta a arma. Dispara. O outro cambaleia até o centro do palco...

ATOR 1: Caralho!!!! Matei o cara errado, puta que o pariu!!!
ATOR 2: Jackson, seu puto! É você???]
ATOR 1 (desesperado): Fabrício???!!! Porra, mano, que foi que eu fiz??? Merda!!!! Merda!!! Morre não, mano... 'guenta aí!
ATOR 2: Te fode meu! Não vou aguentar...

Ator 2 morre. Nos braços do primeiro. Pequena pausa. Depois, ele levanta, sorrindo. O outro também desmancha os dedos em riste. Riem. São crianças.

CRIANÇA 2: Porra! Foi massa!!! Vamo' brincar de novo???
CRIANÇA 1: Ah, não! Vou lá na lan house resolver umas parada...
CRIANÇA 2: Vai, por favor! Só dois minutos...
CRIANÇA 1 (falando enquanto sai de cena): Amanhã, a gente brinca.
CRIANÇA 2 (saindo junto com o primeiro): E amanhã eu faço o traficante!

Saem. Luz vai diminuindo até que reste o escuro e o silêncio.

(Exercícios de dramaturgia para a oficina de Maria Helena Kühner)

1 comentários:

Dimas Lins disse...

Fantástico! Fabiana, você tem o dom das palavras.

Abraços,

Dimas Lins

 

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