Quando plantaram a semente
lá nas terras do Ceará
não podiam imaginar
a flor que germinaria
é flor que deita semente
lá no coração da gente
semente cor de poesia
Quando os anjos abriram bocas
nas ladeiras de Olinda
o mundo era mudo ainda
não conseguia escutar
os atabaques pandeiros
vindos de navios negreiros
fazendo a poesia ecoar
Quando caminhos se cruzaram
em redes de encruzilhada
ele marcou a estrada
e, nos poemas, criou asas
Deu-lhes cantos e imagens
buscou-lhes novas paragens
de encontros em outras casas
Quando as palavras das pedras
descolaram do chão dormente
viraram estrelas luzentes
na noite escura a cintilar
Ele então largou bandeiras
e fez das palavras primeiras
as armas com que lutar
Quando pontes se abriram
entre estes tantos caminhos
os sonhos que eram sozinhos
encontraram companhia
das pedras já descoladas
as palavras, em encruzilhadas,
tecem encontros de poesia.
(Para Magna, Valda, Dimas e Geó ou melhor:
para Sementeiras, Canto da Boca, Estradar e Inscritos em Pedra
E também para Lena, Ducaldo e Edjane, testemunhas deste encontro, novos nós nesta teia)
1 mês atrás
















3 comentários:
Nossa! Me fizeste chorar! Lindo demais! LINDO!
Também quero mais, Fabi! Viciei.
Beijão bem grandão!
Magna
Luna, que primor de texto! Saíste caminhando pelo ventre da poesia e trazendo a nossa ancestralidade, a geneses de cada um/a.
Só uma poeta da sua categoria para dar vida e luz às pedras, isso é de uma alegoria poética fabulosa: "as palavras das pedras
descolaram do chão dormente
viraram estrelas luzentes
na noite escura a cintilar".
Sem contar na identidade de cada uma, no estilo da escrita, na concepção do texto, no olhar individual sobre o coletivo!
Obrigada pela noite, obrigada por existires e assim com esse olhador transformador de mundos!
Que venham mais, muitos!
Um beijão!
;)
Acho que o encontro fez bem, antes de tudo, para a alma poética. Está claro em todos os nossos cantos.
Não escrevi nada. Não pude. Problemas no mundo virtual, também no mundo real.
Mas tudo o que foi publicado, aqui, ali e acolá, assino embaixo, feliz da vida de tê-los encontrado.
E nesse vai, não vai, nós fomos e iremos de novo.
Dimas
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