14 de agosto de 2011

Poemas na encruzilhada

Quando plantaram a semente
lá nas terras do Ceará
não podiam imaginar
a flor que germinaria
é flor que deita semente
lá no coração da gente
semente cor de poesia

Quando os anjos abriram bocas
nas ladeiras de Olinda
o mundo era mudo ainda
não conseguia escutar
os atabaques pandeiros
vindos de navios negreiros
fazendo a poesia ecoar

Quando caminhos se cruzaram
em redes de encruzilhada
ele marcou a estrada
e, nos poemas, criou asas
Deu-lhes cantos e imagens
buscou-lhes novas paragens
de encontros em outras casas

Quando as palavras das pedras
descolaram do chão dormente
viraram estrelas luzentes
na noite escura a cintilar
Ele então largou bandeiras
e fez das palavras primeiras
as armas com que lutar

Quando pontes se abriram
entre estes tantos caminhos
os sonhos que eram sozinhos
encontraram companhia
das pedras já descoladas
as palavras, em encruzilhadas,
tecem encontros de poesia.


(Para Magna, Valda, Dimas e Geó ou melhor:
para Sementeiras, Canto da Boca, Estradar e Inscritos em Pedra
E também para Lena, Ducaldo e Edjane, testemunhas deste encontro, novos nós nesta teia)

3 comentários:

Magna Santos disse...

Nossa! Me fizeste chorar! Lindo demais! LINDO!
Também quero mais, Fabi! Viciei.
Beijão bem grandão!
Magna

Canto da Boca disse...

Luna, que primor de texto! Saíste caminhando pelo ventre da poesia e trazendo a nossa ancestralidade, a geneses de cada um/a.
Só uma poeta da sua categoria para dar vida e luz às pedras, isso é de uma alegoria poética fabulosa: "as palavras das pedras
descolaram do chão dormente
viraram estrelas luzentes
na noite escura a cintilar".

Sem contar na identidade de cada uma, no estilo da escrita, na concepção do texto, no olhar individual sobre o coletivo!

Obrigada pela noite, obrigada por existires e assim com esse olhador transformador de mundos!

Que venham mais, muitos!

Um beijão!

;)

Dimas Lins disse...

Acho que o encontro fez bem, antes de tudo, para a alma poética. Está claro em todos os nossos cantos.

Não escrevi nada. Não pude. Problemas no mundo virtual, também no mundo real.

Mas tudo o que foi publicado, aqui, ali e acolá, assino embaixo, feliz da vida de tê-los encontrado.

E nesse vai, não vai, nós fomos e iremos de novo.

Dimas

 

Palavras-pontes Design by Insight © 2009