18 de julho de 2012

Rastros de Joseph Lingua

Fragmentos de impressões causadas pelo livro, de Pedro Américo de Farias, "A viagem de Joseph Língua":

... essa conversa sem eira nem beira papo ébrio sem começo meio ou fim somente passagem
passagem
passagem

brincadeira de sons e línguas desta gente de por aí e o olhar que as atravessa empurrando-lhe a faca na alma e desfazendo-as em palavras

mil e uma veredas que se encontram e desencontram nesta estrada nossa de cada dia amém

tudo e todos um cão uma rua um bar um beco um homem mil personas tudo e todos no imenso liquidificador da vida triturado moído e jogado ao vento semeando linguagens

a poesia
meio sonho meio sanha meio sina que insinua que assassina que se assanha e salta em cima
neste lugar
que é outro
fugaz
feroz
foice foi-se
desencontrou-se de si

este si
este sinal de pontuação
o ponto a marca a nossa exclamação
e a república império monarquia cria de monstros e deuses à caça de votos latifúndios desertos destinos ciganos para marcar à ferro

e eu rio
um rio de impressões deslocadas e sombras desconexas

e algumas coisas mais que se perderam em meus atalhos

e ponto. nunca final

(O livro "Viagem de Joseph Lingua", de Pedro Américo Farias, foi publicado pelo Ateliê Editorial e está à venda nas livrarias. Eu recomendo.)

2 comentários:

Pedro Américo de Farias disse...

Luna, que ótimo! bom ver quando a leitura não deixa o leitor/a leitora indiferente, que reage e se motiva para rever, acrescentar... é isso a criação artística: ver, ouvir e espichar. Assim foi feito o Joseph Língua.
Grato pela recomendação. Abraço/Pedra.

Magna Santos disse...

Imagino que se precisa de fôlego para ler o livro ou o livro nos deixa sem fôlego. Ao menos ler tuas impressões foi isto. Uma continuidade sem fim, ou melhor, um meio sem fim. Vai ver que é porque são rastros, começa-se com reticências e não termina com o ponto final que fica no meio entre o 'ponto' e o 'nunca'.
Trabalho de mestra, Fabi, pra variar.
Beijos.
Magna

 

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