11 de julho de 2012

Murmúrio de flores

Guardo, de minha tia Jota,
a lembrança de um perfume
vestígios de flores em seus cabelos
e uma voz baixinha
uma reza mansa
como murmúrio de brisa na beira do mar...

Guardo, de minha tia Jota,
a lembrança do gosto pelos livros
que seus olhos já não podiam ler...

A vida foi dura para ela:
cobriu-lhe com o escuro
e a solidão.

Hoje,
aos 97 anos,
ela pôde, enfim, descansar.
Então, fez-se luz em seus olhos
e um cheiro de jasmins varreu a minha casa.

2 comentários:

Canto da Boca disse...

Grandes e carinhosos guardados, que sua tia Jota lhe deixou.
Que bela homenagem você rendeu-lhe, Fabi...

Um beijo!

Magna Santos disse...

Ô, Fabi...
Não sei nem o que dizer de valia... Sinceramente...
Há pessoas que deixam rastros...tua tia Jota deixou perfume.
Identifiquei-me muito com este poema teu. Minha avó materna morreu quando minha mãe tinha 7 anos. Deixou, além dos filhos e das lições, um pé de jasmim fincado em duro chão. Lá ainda resiste no torrão do Cariri. E junto com ele minha certeza de que não somos só isto...este pó, esta casca. O jasmim exala até hoje, sobe aos céus, desce até mim, apesar dos 600km de distância.
Sim, há pessoas que deixam rastros...algumas deixam mais que isto.
Beijão bem grandão!
Magna

 

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