9 de agosto de 2009

Assassinato da esperança

O jogo acabou há quase duas horas.
No entanto,
cada vez que fecho os olhos,
escuto,
com meu corpo inteiro,
um coro de 30 mil vozes que gritam:
- Ah! Eu acredito!!!

E o meu coração me soca por dentro,
Meu sangue ferve
e me seca a alma de esperança.
Faz-se um deserto em mim.

Futebol não é uma bobagem.
Futebol é a metáfora do mundo.
As 30 mil vozes,
a empurrar seu time até o último segundo...
As 30 mil vozes,
mudas,
roubadas de si mesmo,
testadas em sua fé e em sua força...
Estas 30 mil vozes são um retrato do Brasil.

A vida não é justa.
O mundo não é justo.
O futebol não é justo.

Aos excluídos,
aos rebaixados,
aos da série D,
o que resta é uma esperança desnutrida,
magra,
carcomida,
espancada a cada tentativa de reerguer-se do chão.

Escrevo para que minha tristeza escorra em palavras
e não ajude a matar esta que já está no chão.

Porque futebol é uma metáfora do mundo. E o mundo não é justo!!!

5 comentários:

samuca santos disse...

"Futebol é a metáfora do mundo."
ah, garota, como diz o andré teles:
é de fazer chorar e eu digo só não dá frevo por ser muito triste...
a que ponto chegamos, hem?
abç

Inácio França disse...

ai ai ai.

Podemos usar no Blog do Santinha?

naire valadares disse...

Nem me fale, logo no Dia dos Pais. O meu há 85 anos é tricolor, está arrasado e eu, mais ainda, por ve-lo assim.

Dimas Lins disse...

Não me peçam para dizer nada. Hoje não. Por favor, não me peçam. Amanhã, talvez. O silêncio é minha voz. Só ele fala por mim.

Dêem-me o direito de sofrer em paz, calado, quieto em meu canto. Amanhã escrevo uma carta. Direi o que penso, o que sinto e o que me engasga.

Respeitem meu silêncio. Ele é o que resta da minha humanidade civilizada.

Amanhã digo um palavrão. Hoje, não. O silêncio é a minha voz.

Dimas Lins

Josias de Paula Jr. disse...

É de lascar! Não fui ao jogo. Não tinha fé e não suportaria presenciar mais uma desilusão dessa. Aproveitei o ensejo do Dia dos pai, a necessidade de levar minha vó a casa dela... Não fui. Graças à Deus!
Mas, como disseste bem no texto e de forma poética, não deixa a tristeza matar a esperança. Sei que é difícil, mas mais necessário que nunca. Eu, por exemplo, como prova de choque, fui ontem ao Arruda e paguei a mensalidade de agosto e setembro...

 

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