19 de julho de 2010

Minha alma na bandeija


Andarei descalça.
Apesar das feridas
e cicatrizes
que me marcam a sola dos pés.
Apesar das pedras,
dos cacos,
dos espinhos,
dos buracos.
Não vestirei sandálias nem anéis.

Eis aqui a minha pele,
meu corpo,
meu sangue,
como praça de guerra aos escorpiões.
Não farei blindar minha alma
Nem erguerei muralhas
em meus porões.

Servirei a mim mesma -
meus olhos,
minha língua,
meu coração em uma bandeija.

Deixem-lhes verter em meu peito
suas ventosas.
Não morrerei.
Farei lâminas de mim,
e tecerei fios de sangue,
regurgitarei meus olhos
e, como bicho ruminante,
os engolirei.

(Imagem de Frida Kahlo)

1 comentários:

Magna Santos disse...

Estes teus poemas (Exílio, oca, Assediador, Silêncio...) estão como em sequência de um aprendizado. Acho que este conclui. Talvez.
Haveremos de os engolir, Fabiana. Ainda não sei quando,talvez seja necessário um bom tempo, mas acredito.
Belo poema, belo retrato de resistência.
Beijo.
Magna

 

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