18 de novembro de 2009

Destempero

Escutem:
eu não sou tão mansa como sugere meu sorriso!
não sou delicada como faz supor minha miudez!
Eu destempero,
enlouqueço,
transbordo,
estou sempre à beira da combustão.

Saiam de perto.
Eu não sou elegante.
Faço gestos obscenos e digo palavras tortas.
Sou perigosa bomba,
basta apertar um botão.

Não saiam de perto os que forem meus amigos
os que sabem que meu destempero lava mágoas
e permite que eu não me afogue
em tristeza,
em decepção.

3 comentários:

Magna Santos disse...

Quem sofre de indignação, está vivo. Parece que este é o teu caso.
Sigamos, pois é assim que se constrói mundos, se melhora existências.
Beijos.
Magna
Obs.:será também que este escrito nasceu a partir do anterior "sobre política e coração"?

Josias de Paula Jr. disse...

Magna já disse tudo. Inclusive a aparente relação entre esse texto e a indignação com certo fazer político exposto no anterior. Mais ou menos como disse Leminski:
"Na luta
todas as armas são boas
paus pedras poemas".
Há tempo pra tu: pra delicadeza e pra gestos fortes...

Aivlis Sego disse...

Escutem todos, escutem sempre. A louca sempre tem razão...

 

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