24 de março de 2010

Legado de ternura

Seu Darcy era mais que um militante.
Era mais que um dirigente sindical.
Seu Darcy punha em cada palavra um afeto.
E arejava a rispidez da política com seu sorriso aberto.
Seu Darcy acreditava nas pessoas: com seus defeitos e qualidades.
Estava além das divisões partidárias porque tinha, em seu coração, um amor imenso pela humanidade.
Ouvir Seu Darcy, com sua voz doce e terna, era como escutar uma melodia.
Ele tinha poesia nos olhos e uma esperança contagiante.

Ontem, 23 de março, ele nos deixou.
Já vinha doente há algum tempo, uma diabete que se recusava a regredir.
Depois que sua esposa o deixou, ele também foi se deixando levar.
E a sua ausência deixou um vazio de ternura no movimento sindical.
Nossa esperança é que,
de lá,
das estrelas para onde se dirigiu,
ele ilumine cada coração com sua esperança doce e verdadeira.

Que teria dito Seu Darcy ao ver tão dividido o Sindicato que ele tanto amava?
Que teria feito ele?
De que lado teria ficado?

Eu digo que Seu Darcy seria,
sim,
sempre contrário à divisão dos trabalhadores.
Ele acreditava nas pessoas,
em cada uma delas.
E, justamente por isso,
ele não ficaria de lado algum.
Não porque tivesse receio de se posicionar,
mas porque não poderia apoiar algum dos lados
quando via ambos marcharem para o mesmo erro.

1 comentários:

Anônimo disse...

Obrigada, Fabiana. Meu querido avô é merecedor dessas palavras e será sempre lembrado não pelo seu legado enquanto sindicalista, mas como bondoso ser humano que foi, sem caricaturas, sem meios termos, com amor no coração. À sua bondade e ao seu amor, minha eterna gratidão. Te amo voinho. Sua filha\neta Danielle.

 

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