30 de março de 2010

Noite


Há várias noites espero que a lua me indique o caminho.
E não há nada.
A noite chega e se vai sem um único raio que me ilumine.

Agarrei-me,
em minha insônia,
à cauda de uma estrela cintilante.
Mas ela girou,
girou,
e devolveu-me ao abismo no qual estou suspensa.

Não há lua em minha noite.
E meus caminhos não amanhecem.

Qual Penélope transfigurada,
teço e desteço,
noite após noite,
cada fio de meu destino.

O desmantelo de meu mundo não me ofertou novos caminhos,
só o vazio,
a repetição autômata das mesmas teclas,
a vontade de fugir e os pés atados ao chão.

Há várias noites espero que a lua me indique o caminho.
E não há nada.

2 comentários:

Magna Santos disse...

Ah, e qual não é a surpresa quando descobrir que não depende da lua para se saber o caminho. Enquanto se agarra a estrela, esquece-se de pôr os pés no chão e de olhar pra dentro de si e ver as milhares de cintilações advindas da vontade e possibilidades de sair do vazio.
Sem dúvida é uma vivência angustiante, comum a todos nós. É bom quando o dia chega.
Beijo.
Magna
Obs.:muito obrigada, Fabiana, pela palavras em Sementeiras.

Olga Durães disse...

ah.. eu amo á noite.

 

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